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- INTOXICAÇÕES POR METAIS PESADOS
Chumbo (Saturnismo):
O chumbo é um dos metais mais presentes na Terra, e pode ser
encontrado, praticamente, em qualquer ambiente ou sistema biológico,
inclusive no homem. As principais fontes de contaminação ocupacional e/ou
ambientar são as atividades de mineração e industriais, especialmente
fundição e refino. A exposição ocupacional ao chumbo inorgânico provoca,
em sua grande maioria, intoxicação a longo prazo, podendo ser de variada
intensidade.
A contaminação do organismo pelo chumbo depende das propriedades
físico-químicas do composto, da concentração no ambiente, do tempo de
exposição, das condições de trabalho (ventilação, umidade, esforço físico,
presença de vapores, físicas, hábitos, etc.).
As principais atividades profissionais em que ocorre exposição ao
chumbo são: fabricação e reforma de baterias; indústria de plásticos;
fabricação de tintas; pintura a pistola / pulverização com tintas à base
de pigmentos de chumbo; fundição de chumbo, latão, cobre e bronze; reforma
de radiadores;manipulação de sucatas; demolição de pontes e navios;
trabalhos com solda; manufatura de vidros e cristais; lixamento de tintas
antigas; envernizamento de cerâmica, fabricação de material bélico à base
de chumbo; usinagem de peças de chumbo; manufatura de cabos de chumbo;
trabalho em joalheria,dentre outros.
Observação: Em gráficas que possuem equipamentos
obsoletos(linotipos),também pode ocorrer a contaminação. As intoxicações
por chumbo podem causar danos aos sistemas sangüíneo, TGI, TGU, SNC e, em
menor extensão, ao SNP. O contato com os compostos de chumbo pode
ocasionar dermatites e úlceras na epiderme.
Sinais e sintomas na intoxicação crônica: cefaléia, astenia, cansaço
fácil,alterações do comportamento (irritabilidade, hostilidade,
agressividade,redução da capacidade de controle racional), alterações do
estado mental (apatia, obtusidade, hipoexcitabílidade, redução da
memória), alteração da habilidade psicomotora, redução da força muscular,
dor e parestesia nos membros. São comuns as queixas de impotência sexual e
diminuição da libido.Hiporexia, epigastralgia, dispepsia, pirose,
eructação e Orla Gengival de Burton. Dor abdominal aguda, às vezes
confundida com abdome agudo, podem ser sintomas de intoxicação crônica por
chumbo. Modificação da freqüência e do volume urinário, das
características da urina, aparecimento de edema e hipertensão arterial. As
intoxicações agudas por sais de chumbo são raras e, em geral, acidentais.
Caracterizam-se por náuseas, vômitos, às vezes de aspecto leitoso, dores
abdominais, gosto metálico na boca e fezes escuras.
Procedimentos: Estabelecido o nexo pela avaliação clínico -
ocupacional, os casos devem ser notificados nos instrumentos do SUS e
encaminhados para a rede de referência para atendimentos especializados,
quando necessário. Caso o trabalhador intoxicado tenha carteira de
trabalho assinada, deverá ser solicitada a emissão da CAT pela empresa,
sendo o médico responsável pelo preenchimento do LEM. A investigação da
situação que ocasionou a intoxicação
deverá ser realizada e, a partir de então, deverão ser desencadeadas as
medidas de controle.
Mercúrio (Hidrargirismo):
O Mercúrio e seus compostos tóxicos (mercúrio metálico ou elementar,
mercúrio inorgânico e os compostos orgânicos) ingressa no organismo por
inalação, por absorção cutânea e por via digestiva. As três formas são
tóxicas, sendo que cada uma delas possui características toxicológicas
próprias.
O mercúrio metálico é utilizado principalmente em garimpos, na extração
do ouro e da prata, em células eletrolíticas para produção de cloro e
soda, na fabricação de termômetros, barômetros, aparelhos elétricos e em
amalgamas para uso odontológico. Os compostos inorgânicos são utilizados
principalmente em indústrias de compostos elétricos, eletrodos, polímeros
sintéticos e como agentes antissépticos. Já os compostos orgânicos são
utilizados como fungicidas, fumigantes e inseticidas.
Assim, os trabalhadores expostos são aqueles ligados à extração e
fabricação do mineral, na fabricação de tintas, barômetros, manômetros,
termômetros, lâmpadas, no garimpo, na recuperação do mercúrio por
destilação de resíduos industriais, etc. Vale o registro de casos de
intoxicação no setor saúde, especificamente na esterilização de material
utilizado em cirurgia cardíaca, e, também, no setor odontológico.
Os vapores de mercúrio e seus sais inorgânicos são absorvidos
principalmente pela via inalatória, sendo que a absorção cutânea tem
importância limitada. Volatilidade e transformação biológica fazem do
mercúrio um dos mais importantes tóxicos ambientais. Ou seja, o mercúrio
lançado na atmosfera pode precipitar-se nos rios e, através da cadeia
biológica, transformar-se em metilmercúrio, que irá contaminar os
peixes.
O mercúrio é um metal que se une a grupos sulfidrilos - SH. Assim,
várias são as enzimas que podem ser inibidas por este metal, resultando em
bloqueios de diferentes momentos metabólicos. Sua principal ação tóxica se
deve à sua ligação com grupos ativos da enzima Monoaminooxidase (Mao),
resultando no acúmulo de serotonina endógena e diminuição do ácido
5-hidroxindolacético, com manifestações de distúrbios neurais.
O mercúrio é irritante para pele e mucosas, podendo ser sensibilizante.
A intoxicação aguda afeta os pulmões em forma de pneumonite intersticial
aguda, bronquite e bronquiolite. Tremores e aumento da excitabilidade
podem estar presentes, devido à ação sobre o SNC. Em exposições
prolongadas, em baixas concentrações, produz sintomas complexos, incluindo
cefaléia, redução
da memória, instabilidade emocional, parestesias, diminuição da
atenção, tremores, fadiga, debilidade, perda de apetite, perda de peso,
insônia, diarréia, distúrbios de digestão, sabor metálico, sialorréia,
irritação na garganta e afrouxamento dos dentes. Pode ocorrer proteinúria
e síndrome nefrótica. De maneira geral, a exposição crônica apresenta
quatro sinais, que se destacam entre outros: gengivite, sialorréia,
irritabilidade, tremores.
Procedimento: Havendo suspeita de intoxicação por mercúrio, os
trabalhadores devem ser encaminhados ao serviço especializado em Saúde do
Trabalhador, para monitoramento e tratamento especializado. Caso o
trabalhador intoxicado tenha carteira de trabalho assinada, deverá ser
solicitada a emissão da CAT pela empresa, sendo o médico responsável pelo
preenchimento do LEM. O caso deverá ser notificado nos instrumentos do
SUS. A investigação da situação que ocasionou a intoxicação deverá ser
realizada, e, a partir de então, deverão ser desencadeadas as medidas de
controle.
Solventes Orgânicos:
Solvente orgânico é o nome genérico atribuído a um grupo de substâncias
químicas líquidas à temperatura ambiente, e com características
físico-químicas (volatilidade, lipossolubilidade ) que tornam o seu risco
tóxico bastante variável. Os solventes orgânicos são empregados como
solubílizantes, dispersantes ou diluentes, de modo amplo em diferentes
processos industriais (pequenas, médias e grandes empresas), no meio rural
e em laboratórios químicos, como substâncias puras ou misturas.
Neste grupo químico estão os hidrocarbonetos alifáticos (n-hexano e
benzina), os hidrocarbonetos aromáticos (benzeno, tolueno, xileno), os
hidrocarbonetos halogenados (di/ tri/ tetracioroetileno, monociorobenzeno,
cioreto de metileno), os álcoois (metanoi, etanoi, isopropenoi, butanoi,
álcool amílico), as cetonas (metil isobutilcetona, ciciohexanona, acetona)
e os ésteres (éter isopropílico, éter etífico).
Ocupacionalmente as vias de penetração são a pulmonar e cutânea. A
primeira é a mais importante, pois, ao volatilizar-se, os solventes podem
ser inalados pelos trabalhadores expostos e atingir os alvéolos pulmonares
e o sangue capilar. Havendo penetração e, consequentemente,
biotransformação e excreção, os efeitos tóxicos destas substâncias no
nível hepático, pulmonar, renal, hemático e do sistema nervoso podem
manifestar-se, favorecidos por fatores de ordem ambientar (temperatura),
individual (dieta, tabagismo, etilismo, enzimáficos, peso, idade,
genéticos, etc.), além da comum interação entre os diversos solventes na
maioria dos processos industriais.
Benzenismo:
Benzenismo é o nome dado às manifestações clínicas ou alterações
hematológicas compatíveis com a exposição ao benzeno.
Os processos de trabalho que expõem trabalhadores ao benzeno estão
presentes no setor siderúrgico, nas refinadas de petróleo, nas indústrias
de transformação que utilizam o benzeno como solvente ou nas atividades
onde se utilizem tintas, verniz, selador, thiner, etc.
Os sintomas clínicos são pobres, mas pode haver queixas relacionadas às
alterações hematológicas, como- fadiga, palidez cutânea e de mucosas,
infecções freqüentes, sangramentos gengivais e epistaxe. Pode encontrar-se
sinais neuropsíquicos como astenia, irritabilidade, cefaléia e alterações
da memória.
O benzeno é considerado uma substância mielotóxíca, pois, nas
exposições crônicas, atua sobre a medula óssea, produzindo quadros de
hipopiasia ou de dispiasia. laboratorialmente, estes quadros poderão se
manifestar através de mono, bi ou pancitopenia, caracterizando, nesta
última situação, quadros de anemia aplástica. Ou seja, poderá haver
redução do número de hemácias e/ou leucócitos e/ou plaquetas. Vários
estudos epidemiológicos demonstram a relação do benzeno com a leucemia
mielóide aguda, com a leucemia mielóide crônica, com a leucemia
linfocítica crônica, com a doença de Hodking e com a hemoglobinúria
paroxísfica noturna.
Procedimento: Estabelecer o nexo causal através da investigação
clínico-ocupacional, fazer no mínimo dois hemogramas com contagem de
plaquetas e reticulócitos em intervalo de 15 dias, dosar ferro sérico,
capacidade de ligação e saturação do ferro e, ainda, duas amostras de
fenol urinário, uma ao final da jornada e outra antes da jornada (no
momento da consulta). Caso o trabalhador intoxicado tenha carteira de
trabalho assinada, deverá ser solicitada a emissão da CAT pela empresa,
sendo o médico responsável pelo preenchimento do LEM. O caso deverá ser
notificado nos instrumentos do SUS. A investigação da situação que
ocasionou a intoxicação deverá ser realizada e, a partir de então, deverão
ser desencadeadas as medidas de controle.
Cromo:
As maiores fontes da contaminação com cromo no ambiente de trabalho são
as névoas ácidas. A exposição acontece principalmente nas galvanopiastias
(cromagem); na indústria do cimento; na produção de ligas metálicas;
soldagem de aço inoxidável; na produção e utilização de pigmentos na
indústria têxtil, de cerâmica, vidro e borracha; na indústria fotográfica
e em curtumes. Os compostos de cromo podem ser irritantes e alérgenos para
a pele e irritantes das vias aéreas superiores.
Os sintomas associados a intoxicação são: prurido nasal, rinorréia,
epistaxe, que evoluem com ulceração e perfuração de septo nasal; irritação
de conjuntiva com lacrímejamento e irritação de garganta; na pele
observa-se prurido cutâneo nas regiões de contato, erupções eritematosas
ou vesiculares e ulcerações de aspecto circular com dupla borda, a externa
rósea e a interna escura (necrose), o que lhe dá um aspecto característico
de "olho de pombo"; a irritação das vias aéreas superiores também pode
manifestar-se com dispnéia, tosse, expectoração e dor no peito. O câncer
pulmonar é, porém, o efeito mais importante sobre a saúde do
trabalhador.
Procedimento: Havendo suspeita de intoxicação por cromo, os
trabalhadores devem ser encaminhados ao serviço especializado em saúde do
trabalhador para monitoramento biológico - pesquisa do cromo no sangue e
tecidos - e tratamento especializado. Uma vez detectada a presença do
cromo no ambiente, se não houver segurança quanto ao limite legal para
duração da exposição, a vigilância ou os trabalhadores podem pedir a
verificação do nível de exposição. Os trabalhadores com intoxicação devem
ser acompanhados por longos períodos, uma vez que o câncer pulmonar
desenvolve-se 20 a 30 anos após a exposição. Caso o trabalhador intoxicado
tenha carteira de trabalho assinada, deverá ser solicitada a emissão da
CAT pela empresa, sendo o médico responsável pelo preenchimento do LEM. O
caso deverá ser notificado nos instrumentos do SUS. A investigação da
situação que ocasionou a intoxicação deverá ser realizada e, a partir de
então, deverão ser desencadeadas as medidas de controle.
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